Avós baianos buscam mais independência e reduzem morada com os netos

 

Valdete de Souza Alves, de 67 anos, é avó de Kauã - Foto: Denisse Salazar | Ag. A TARDE

Entre o aconchego da família e a liberdade das próprias escolhas, os avós encontram um equilíbrio precioso: florescem ao cuidar dos seus, sem abrir mão de si mesmos. No Dia dos Avós, 26 de julho, dados do IBGE revelam que a coabitação entre avós e netos vem diminuindo na Bahia.

Em 2010, eram ao menos 809.686 avós vivendo sob o mesmo teto que seus netos; já em 2022, esse número caiu para 650.297, segundo o último Censo Demográfico. Especialistas destacam que morar separado dos filhos e netos não significa afastamento e muitas vezes representa a conquista de independência e liberdade.

"Essa redução pode estar relacionada a diferentes transformações sociais e demográficas. Os idosos estão vivendo mais e, muitas vezes, com melhores condições de saúde e maior independência, o que permite que tenham suas próprias residências e escolham onde e com quem desejam morar. Também houve mudanças na estrutura das famílias, nos padrões de moradia e na dinâmica de trabalho. Além disso, a tecnologia facilita a comunicação e a manutenção dos vínculos mesmo quando as gerações não vivem na mesma casa", explica a médica geriatra da Rede Mater Dei e Rede Do'r de Feira de Santana, Maria Clara de Oliveira Valente, docente do curso de medicina da Unex.

Há 25 anos trabalhando no grupo de convivência "Alegria de Viver Casa do Idoso" do Centro Social Urbano (CSU) - equipamento público administrado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) - de Castelo Branco, Fátima Bastos percebeu mudanças nessa relação entre os netos e as avós que fazem parte do grupo.

"Antes havia mais avós morando com netos, hoje não tanto. Mas é difícil ter parâmetros estatísticos. Hoje, a maioria tem suas casas, são pensionistas ou aposentadas, fazem suas coisas e mantêm autonomia. Quando possível, convivem com filhos e netos, mas não de forma exclusiva ou obrigatória, entende?", explica.

Uma delas é a aposentada Wilma Barbosa Sousa (83), que mora apenas com o marido - de 89 anos -, e divide seu tempo entre visitas aos seis netos e três bisnetos, e as suas atividades e viagens.

"Ajudei, com muito amor, a criar alguns, como minha neta Layla Carolina, que por um tempo passava o dia comigo enquanto os pais trabalhavam. É o tipo de convívio que nos enche de amor e confiança, sabe? Até porque cuidar de neto, na minha opinião, exige cuidado em dobro. Mas também é importante termos autonomia e tempo para fazermos nossas coisas. Eu não faço de tudo, mas aproveito a saúde que tenho para cuidar do que precisa ser cuidado", afirma Wilma.

Fonte: A Tarde

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